Foi só depois de anos trabalhando na mineração dos asteróides em Nilus que conseguimos viver apenas do nosso trabalho duro, a partir dos recursos gerados localmente. Todo esse esforço mostrou ter sido em vão depois do Desastre. Mesmo que os estragos provocados pelas explosões do miniburaco negro não tenham sido nossa culpa, o Consortium decidiu que nós não éramos qualificados para cuidar da região. Agora, estamos nas mãos daqueles que se dizem "do bem". Vou contar um pouco sobre a região e seus agentes:
Nilus
Setor: Barnard - Sistema: 61 Cygni
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Situação cosmopolítica da região
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Antes da chegada da Halitech a 61 Cygni, Nilus era uma das regiões mais bem desenvolvidas do sistema. Concentrava grande parte da atividade industrial e era cobiçada por seus cinturões de asteróides, jazidas intermináveis de matérias primas e gelo. O promissor pólo de pesquisa e exploração de paleoartefatos recém implantado em outras regiões de 61 Cygni transferiu os investimentos antes feitos em Nilus para as regiões ricas em paleodestroços, sedes dos laboratórios de pesquisa e fábricas de engenharia reversa de armas sobre a plataforma tecnológica paleoalienígena. Por fim, Nilus acabou se estabilizando como uma região auto-sustentável. As companhias locais de extração passaram a se organizar em cooperativas divididas por setores de atuação, para evitar o declínio econômico da região. O grupo que representava as cooperativas foi autointitulado como Patriotas de Nilus, não em referência direta a uma pátria, mas sim às suas ambições de legislar, administrar e defender os interesses barnardianos, fiscalizando as atividades das companhias mineradoras na região. E assim foi até o Desastre.
A maioria das refinarias, estações e centros de clonagem foi desativada pela onda energética deflagrada pela explosão do miniburaco negro. O suporte de vida de diversas estações foi desligado e os sobreviventes tiveram que partir para regiões próximas, como Loki e Saxônia. Algumas instalações automatizadas voltaram a ser operacionais, mas não havia ninguém para comandá-las. Os habitantes mortos tiveram que ser reencarnados em sistemas do Núcleo e foram impedidos de retornar a 61 Cygni devido ao embargo do Consortium. Apesar da onda de choque não ter afetado a maior parte física das instalações, o ambiente não era menos caótico do que em outras regiões. Máquinas e estações ficaram abandonadas, pelo menos até a chegada da Halitech.
Com a chegada da Halitech, trazendo sua força logística e mão de obra capacitada, o funcionamento das estações e do maquinário desativado logo foi restabelecido. O problema é que, no processo, a Halitech tomou para si boa parte das estruturas locais recuperadas por ela, como forma de moeda de troca pelo alto investimento na região. Nilus não é uma região rica em termos de retorno financeiro, mas é uma região fundamental para a Halitech, por concentrar grande quantidade da matéria prima utilizada pela corporação e uma boa infraestrutura industrial. Porém os antigos moradores, entre exilados e clonados, ao retornarem para a região na esperança de retomarem suas vidas, encontraram uma nova ordem estabelecida. Isso desencadeou uma série de protestos por parte dos mineradores membros dos Patriotas de Nilus, que, sem poderem voltar ao trabalho, passaram a fazer reivindicações formais. Em pouco tempo, a organização deixou de lado sua vocação sindicalista e passou a atuar como força política de oposição à presença do Consortium. Ou seja: passaram a questionar, regular e cobrar explicações sobre as ações da Halitech.
Nem todos os partidários dos Patriotas se conformaram com reinvindicações formais. O recém-formado partido logo se viu dividido em correntes com agendas mais extremistas e subversivas. Os Extremistas são mineradores que se exilaram na Saxônia durante o período de reconstrução de Nilus. Contam com o apoio de uma organização paramilitar terrorista conhecida como "La Falange", com quem travaram contato na época do exílio. As atividades dos extremistas são acobertadas por Subversivos, parlamentares dos Patriotas, pouco importantes e com pouco poder, mas com imunidade diplomática. Os subversivos acobertam a entrada e saída de Sabotadores e Terroristas assumidos da La Falange e desviam a atenção das forças de segurança para facilitar ataques de extremistas.
A Halitech, mesmo contando com uma força de segurança encarregada de manter a ordem na região, se viu de mãos atadas. Com a disputa formalizada no campo político, foi vetado à corporação interferir nos conflitos utilizando poder de fogo da Patrulha Estelar. Para defender seus interesses e fazer valer a sua vontade em Nilus, a Halitech precisou recorrer a uma solução inusitada: oferece missões a pilotos freelancer e subcontrata equipes de seguranças oriundas de outra corporação consorciada de 61 Cygni, a Behemoth Heavy Industries.
Agente:
Billy Bates
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| “Saudações da Pedreira!” |
O ressurrecto Billy Bates é o representante da Halitech Mining em Nilus. Bates gosta de dizer que seus pilotos são os olhos e os ouvidos do Consortium em 61 Cygni. "We Never Sleep", o lema emprestado de uma das mais tradicionais agências privadas de detetives e pistoleiros do século XIX, diz muito sobre o caráter e a ideologia de Billy "Psycho" Bates. Billy Bates foi transferido para Nilus para colocar os asteróides em suas devidas órbitas. Assim, com alguém sem medo de quebrar as regras, a Halitech pretendia intimidar os extremistas e impedir novos ataques terroristas. Até porque, para Billy, a melhor forma de resolver um problema é simplesmente eliminá-lo. Literalmente.
Apesar de a maioria das corporações do Núcleo do Espaço Humano não se interessar muito por essa região onde só existe poeira cósmica e asteróides, os anéis e campos de extração de minérios de Nilus são a base de sustentação para todas as atividades de reconstrução da Halitech em 61 Cygni. Billy Bates tem agentes infiltrados nos sindicatos de pilotos mineradores, entre os comissionários, supervisores, e até no que chamam de Prefeitura dos Patriotas de Nilus.
Billy é um bom manipulador, mantém influências em todos os escalões desse "arremedo de governo provinciano que ainda tenta resistir à chegada da civilização". Por outro lado, Billy Bates não soube conduzir as rédeas que fizeram sua vida pessoal virar uma carruagem desgovernada. Bates vive um pesadelo desde o fim dos Aita's Bushmen, época de ouro em que seu grupo de mercenários ajudou a expulsar os piratas do Sistema Barnard. A lembrança dos bons tempos da banda Párias da Periferia alimenta a raiva de Billy Bates. Se em Loki ele presenciou a morte definitiva de vários colegas na famigerada Batalha de Utgard, a transferência para Nilus fez Bates perder seu melhor amigo.
Agente:
Henry Dutch
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| “Tudo no seu tempo, um passo de cada vez” |
Henry Dutch é o contramestre da Ordem dos Pilotos Assalto em Dólmens, Nilus e Cemitério. O professor e ciberneticista Dutch acumula larga experiência como desenvolvedor de programas de formação e treinamento. A escolha de enviar um catedrático de renome como Dutch para o teatro de operações do Setor Barnard, principalmente para instruir e certificar pilotos das naves das três classes de pilotos, pode parecer heterodoxa, mas nunca foi tão acertada pelas corporações que atuam nas regiões intermediárias de 61 Cygni. Henry Dutch é um instrutor dedicado e superprotetor, desde os tempos em que trabalhava para a Behemoth Heavy Industries no Centro de Formação de Pilotos de Testes Celestial Heaven em Titã.
Dutch conhece como ninguém as dificuldades e os desafios de adaptação às interfaces de pilotagem. Enquanto alguns barnardianos e ressurrectos mais tecnófilos reclamam dos recursos enviados para 61 Cygni, por parecerem "obsoletos" ou "material de segunda linha", principalmente se comparados à nova geração de naves em uso no Núcleo, para Dutch, a qualidade do equipamento oferecido pela BHI se traduz em duas palavras: segurança e confiabilidade.
Henry Dutch entende que oferecer interfaces e equipamentos testados à exaustão, por gerações e gerações de pilotos que ainda têm centenas de anos pela frente, é mais sensato do que dar acesso a sistemas customizados complexos. A utilização de protótipos avançados exige maturidade e experiência. Sob hipótese alguma equipamentos top de linha devem cair na mão de aprendizes ou, o que seria pior, nas garras de piratas e renegados. "Tudo no seu tempo, um passo de cada vez" são mantras que o contramestre Dutch costuma empregar para disfarçar a sua própria insegurança e ansiedade. Henry Dutch é um flatlander longe de casa e a responsabilidade da função para qual foi designado em 61 Cygni exige todo o cuidado do Taikodom.
A sujeira e a fúria
Atirar antes, perguntar depois
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O preço da insígnia