Apesar dos estragos inevitáveis, a guerra em 61 Cygni leva investimentos ao sistema.
Passado o Levante Renegado, o cinturão de asteroides e paleodestroços próximo a 61 Cygni B transformou-se na cortina de ferro que separa a Aliança Renegada da Coalizão Consorciada. As regiões na parte interior do cinturão ficam no que está sendo chamado de "esfera renegada", sujeita à influência e ao controle dos líderes da Aliança. Na parte exterior ao cinturão, o Consortium consolida-se como a liderança mais influente e reguladora.
Para que fosse possível reconstruir as regiões devastadas pelo Levante, usadas como bases de guerra pelas duas facções, foi preciso tomar algumas medidas impactantes. Portais de salto para regiões na órbita de 61 Cygni A foram bloqueados e Zonas de Espaço Profundo (ZEPs) utilizadas durante o Levante como corredores para ligar regiões foram mapeadas, deixando de oferecer o risco do "fator surpresa".
Está claro, para as facções, que a guerra será longa e que quem resistir por mais tempo provavelmente será o vencedor. Por isso, tanto a Coalizão quanto a Aliança estão investindo pesado na organização de suas regiões, levando em conta logística de suprimentos, treinamento de novos pilotos e desenvolvimento de novas armas e belonaves.
A Aliança Renegada dedicou-se com afinco a aprimorar a infraestrutura de Thor. Para cumprir o papel de centro de armazenamento e distribuição de suprimentos e minérios, a região recebeu novos geradores de energia, um novo Habitat e novas refinarias. Isso fez com que a região sofresse uma divisão, para comportar as novidades de forma organizada: os setores de Thor estão agrupados em diferentes escalas orbitais em torno do planeta que dá nome à região. Os setores de suprimentos e mineração estão localizados na órbita intermediária circular do planeta, enquanto os setores de energia, que abrigam coletores solares, geradores e usinas de fusão de Hélio 3 e Deutério, foram alocados em órbita síncrona, um pouco mais distantes do planeta. Na periferia gravitacional de Thor foi instalado um posto de controle altamente militarizado, para evitar invasões à região.
O mesmo modelo de divisão regional por setores foi utilizado em Loki, sob o comando da Coalizão Consorciada. Os consorciados trouxeram para o sistema diversas inovações, oriundas diretamente do Núcleo. Spaceways e portais aceleradores permeiam a região e facilitam o deslocamento dos trabalhadores entre cada setor. As novidades geraram uma pequena guerra fria por melhorias entre as facções. Os renegados não demoraram a reproduzir as vias espaciais consorciadas através de engenharia reversa, evitando que civis a serviço da Aliança mudassem de lado apenas pela maior comodidade oferecida pelos consorciados. Mesmo o holograma de Neil Pace que recepciona os pilotos em Utgard foi adaptado pelos renegados para exibir a imagem de Billy Bates em Torsted.
O que se vê hoje, tanto em Thor quanto em Loki, é muito mais do que uma transformação; as regiões sofreram uma revolução em sua antiga organização e distribuição. A guerra, como muitos analistas previram, levou investimentos a um sistema devastado. E, ao contrário do que se imaginava, a Aliança Renegada tem se mostrado um oponente bastante pragmático, que aprende com seus erros e não tem medo de buscar inspiração nos acertos do inimigo.
Pilotos recém saídos dos Centros para Adaptação e Treinamento de Ressurrectos não param de chegar ao front. A disputa por recursos cada vez mais escassos ganha intensidade. Ataques pirata têm sido reportados com mais frequência. Embates entre renegados e consorciados são cada vez maiores e mais frequentes. Dois modelos de sociedade em guerra, separados apenas por pedras e destroços espalhados ao longo de algumas unidades astronômicas. A guerra está apenas começando.