Living
  Para quem gosta de Taikodom
 
Opinião: Rumo à derrota.
......................................................................................................................................................

Será que a humanidade tem alguma chance de sair ganhando, na disputa entre as duas facções?

Ganhadores

A forma como as corporações consorciadas conduziram suas ações no Setor Barnard foi essencial para dar legitimidade ao Levante Renegado. Diante de tantas acusações, nem mesmo instituições universais que por décadas estiveram ao lado do Consortium puderam defendê-lo. Logo, a revolta das comunidades de 61 Cygni recebeu apoio de diversas outras comunidades espalhadas pelo Setor Barnard. Se os prejuízos causados pelo Levante Renegado preocupam os cidadãos do Núcleo, os danos à imagem do Consortium podem ser ainda maiores.
É preciso lembrar que o Consortium é a instituição responsável pela unificação da sociedade espacial. Sem o direcionamento e os investimentos promovidos pelo conglomerado, a humanidade jamais teria conseguido prosperar e progredir de forma segura e organizada, como tem feito até hoje. É preciso lembrar que o Consortium tem um compromisso firmado com todos os terrestres. Todos os anos, milhares de hibernautas são despertados, treinados, adaptados e inseridos na sociedade espacial. O cuidado que o conglomerado tem com seus novos cidadãos é exemplar na história da humanidade e nunca visto em nenhum outro sítio do Taikodom.
O sentimento anti-Núcleo, que tem se intensificado nos últimos meses, não se justifica. As acusações de que o Consortium priva(tiza) a liberdade de seus cidadãos também não são verdadeiras - pergunte a qualquer belter consorciado. Da mesma forma, não é possível afirmar que o Consortium tenha se eximido do seu papel de liderança; o conglomerado sempre se fez presente, quando necessário.
Isso nos leva a 61 Cygni. Poucos lembram disto, mas houve um pedido de ajuda humanitária, partido do que se imaginava serem as lideranças barnardianas. O Consortium enviou a ajuda que pôde, ainda que insuficiente. As irregularidades deflagradas por alguns agentes das corporações prejudicaram tanto os barnardianos quanto o próprio Consortium. Após alguns meses de Levante, já é possível observar alguns sintomas do estrago:

- O Núcleo não é mais a potência econômica de antes. As corporações consorciadas contavam com um alto superávit orçamentário antes da missão de Pacificação e Reconstrução de 61 Cygni e talvez tenham subestimado os custos da missão no Setor Barnard. As três corporações vencedoras da licitação estão amargando grandes prejuízos, e boa parte da conta será paga pelo próprio Consortium.

- O Consortium aparenta estar em declínio. Não quero parecer precipitado, mas a verdade é que, há 10 anos, um Levante como esse de 61 Cygni não seria sequer cogitado. Como o conglomerado das maiores corporações do Taikodom pode ter sido surpreendido por um grupo de belters amparado por ressurrectos recém despertados?

Entretanto, apesar das acusações e conflitos em 61 Cygni, o Núcleo continua, como uma bolha, indiferente ao que acontece Taikodom adentro. Muito diferente da situação que o Consortium enfrenta no Setor Barnard.
61 Cygni é um sistema dividido, e isso vale para todo o Território. Os ideais defendidos pelos Renegados
representam um grande perigo para a sociedade espacial visualizada pelo Consortium: o perigo de se colocar liberdades individuais à frente de interesses coletivos, quebrando compromissos assumidos e mantidos há décadas. Isso, sem falar no perigo de se instituir uma nova ordem espacial, capaz de colocar em cheque o progresso já feito pelos consorciados e transformando em incógnita o que havia sido cuidadosamente planejado. Cada uma das facções teme pelo futuro da humanidade, se o modelo de sociedade opositor vencer ou continuar a ser disseminado. A única crença em comum entre as duas facções é que as negociações de paz, conduzidas tanto pela Hoplon Trust quanto pelo Colegiado, foram insatisfatórias.
Quais são os limites da eficácia militar no Taikodom de hoje? Como saber quem é o inimigo, quando a batalha se dá em um ambiente caótico e irregular? Como pode uma potência bélica ser eficaz contra um opositor que detém praticamente toda a inteligência tática do espaço de guerra?
As duas facções não entendem que esse conflito muda os limites e as relações entre cidadãos espaciais de todo o Taikodom, trazendo à tona sentimentos e conceitos que já havíamos superado e que apenas nos enfraquecem como espécie. Os dois lados não entendem que não é o futuro do Território que está em jogo, mas sim, o futuro da humanidade. Para que esse conflito se resolva, é preciso que um dos lados perca logo; ou perderemos todos.
Abraçar a derrota é uma virtude desconhecida; mas, agora, essa virtude é uma necessidade. Pelo bem da humanidade.

*Arthur Gliese fez uma longa carreira como repórter acompanhando as expedições belters pelo Taikodom. É escritor, colunista e comentarista político do Núcleo. Atualmente, trabalha como freelancer, cobrindo os bastidores do Levante para diversos veículos de comunicação. Ele colabora com o Taikonews através da coluna Opinião.

Observação: as opiniões dos articulistas da coluna Opinião não refletem, necessariamente, a opinião do portal de notícias Taikonews.

......................................................................................................................................................
Facebook.
 
......................................................................................................................................................
 
Hoplon Taikodom Foguete de Agua Aggelus
Copyright © 2008 - Aggelus.
Todos os direitos reservados. Os objetos 3D utilizados, naves, ícones, história e personagens apresentados nesse site fazem parte do MSG Taikodom,
desenvolvido pela Hoplon Infotainment.