Serão as irregularidades investigadas pelo Consortium muito mais do que ações isoladas provocadas por interesses pessoais?
Artigo - por Guilherme de Alexandrina, o Arquivista*
As especulações que andam rolando acerca da identidade de possíveis "agentes duplos" nas corporações consorciadas têm alimentado discussões acirradas nos centros de convivência e bares frequentados por pilotos freelancer em 61 Cygni. Pilotos curiosos têm pesquisado nas entrelinhas dos arquivos de acesso público e têm divulgado descobertas sobre pistas que o Serviço de Inteligência do Consortium não conseguiu enxergar. Uma pesquisa de opinião realizada por meio das infovias barnardianas apontou a opinião dos taikonautas sobre os vários suspeitos que estão sendo investigados, das três corporações consorciadas.
O resultado prático desse burburinho todo é que o Serviço de Inteligência do Consortium está sendo obrigado a engolir duas possibilidades amargas. Primeira: a conspiração está aí, é um duro um choque de realidade para os céticos ou cínicos, fato escancarado a ser aceito pela até então "incorruptível" sociedade espacial. Segunda, a mais óbvia e ululante: agentes da Behemoth, da Halitech e da Neoeden patrocinavam grupos armados em missões ilegais ou favoreciam inimigos declarados do Consortium. Lendo e relendo as mensagens desses suspeitos, só posso supor que sim, existe um projeto político anti-Consortium em comum, muito mais ambicioso do que atentados e sabotagem das operações e concessões da Missão Barnard.
A pior das teorias da conspiração vem ganhando força: a conspiração não seria fruto de um plano isolado de regiões em protesto e comunidades descontentes. O plano, que ouso chamar de insurgente, poderia ser considerado um movimento orgânico e legítimo, articulado não só por um líder, mas por uma rede de agentes influentes. Em outras palavras, a "Quinta Coluna da Resistência" já pode estar recrutando pilotos engajados para as suas fileiras. Lembrando o que já foi dito em outras épocas e que muitos de meus leitores gostariam de ouvir: "Quem não escolher um lado será varrido do mapa. Mais dia ou menos dia, neutros e autônomos serão esmagados - pelo Consortium, pelos anti-Consortium, ou pelos dois juntos." Em tempo: os dicionários da época monoplanetária definiam "quinta coluna" como "qualquer indivíduo (nacional ou estrangeiro) que atua dissimuladamente em um país em guerra ou prestes a entrar em guerra com outro, no sentido de auxiliar uma provável invasão, ou espionando e fazendo propaganda subversiva."
Em 61 Cygni, não me sinto qualificado para responder outro questionamento relacionado a todos esses rumores: o Consortium só se interessou por 61 Cygni por causa do Desastre Barnardiano ou o Desastre Barnardiano só aconteceu por causa da ocupação e dos interesses do Consortium?
* Guilherme de Alexandrina, mais conhecido como O Arquivista, foi responsável pela disciplina "História da Civilização Espacial" no projeto da Associação Circunlunar de Amparo à Adaptação do Terrestre, do qual atualmente está afastado. Ele colabora com o Taikonews através da coluna Opinião.
--Observação: as opiniões dos articulistas da coluna Opinião não refletem, necessariamente, a opinião do portal de notícias Taikonews.--
Publicado em: dia 269 de 163 ER