A Sina
Estamos em 2.253 DC, a cerca de 10 anos a humanidade trava uma guerra espacial contra uma raça alienígena imperialista. Durante esse período perdemos várias colônias espalhadas pelos setores galático. Recentemente, nosso serviço de inteligência detectou uma frota de naves inimigas em direção a nossa galáxia-mãe, a Via Lactea.
Várias incursões foram enviadas para barrar o avanço inimigo, mas todas foram aniquiladas, porém, a última incursão conseguiu uma importante informação, eles detectaram uma enorme fonte de energia maciça no que achávamos ser a nave mãe da frota. Nossos ciêntistas analisaram as leituras dessa fonte de energia e concluíram que a nave carrega consigo um dispositivo gravitacional instável cuja a freqüência está sincronizada com o núcleo da Via Lactea, ou seja, eles pretendem implodir a nossa galáxia-mãe. Cinco frotas estão a caminho da frota alienígena, a missão é muito óbvia, de destruir a nave-mãe que carrega a monstruosa arma de destruição.
Sou capitão da recém formada Unidade Especial Tática Supernova, Jordam Hawx, da terceira frota. A primeira e a segunda frota já entraram em combate, estamos a poucas horas da zona de combate nos preparando para o nosso destino.
— Atenção! Faltam três horas para interceptarmos a frota inimiga! Todos a postos! - Todos entram em alerta amarelo.
— Muito bem equipe, vamos para a nossa fragata e preparem-se para decolar! O comando nos passou a rota que usaremos para atacar! - Todos partem para o hangar.
O Comando está apostando na velocidade dos ataques, nossa fragata é equipada com um motor ômega (capaz de realizar dobra espacial em forma de ômega) e um canhão de longo alcance de anti-partículas, seremos como snipers.
— Todos os sistemas checados e ok! - Era o tenente Rangel.
— Rota travada! – Informou o tenente Daniel.
— Atenção! Permissão para ativar motor ômega concedida. Iniciar ignição em dez segundos! - Era o tenente Micael.
— Muito bem, apertem os cintos!
"10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... Ignição!", a nave entra em dobra espacial rumo ao nosso destino. Após trinta minutos de viagem.
— Senhor, os sensores interceptaram uma anomalia na nossa rota! - A tenente Carla chama a minha atenção.
— Detalhes.
— Massa a 75% se formando... Oh meu Deus! Densidade de quatro sóis!
— Previsão de impacto?
— Trinta segundos!
— Alterem a rota! - Ordeno ao leme.
— Impossível, estamos sendo puxados!
— Desativar cruzeiro!
Tarde de mais! A nave é tomada por um imenso clarão e depois é engolida pela escuridão.
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Dizem que quando estamos prestes a morrer toda a nossa vida passa na nossa frente como se fosse um filme acelerado. Bom, não foi isso que aconteceu comigo, então acho que não morri ainda.
Abro os olhos e está tudo branco, não vejo nada além de um profundo brando. Estou flutuando, não sinto sequer a sensação de peso. Eu acho que estou deitado, me posiciono para ficar de pé e... Surpresa, seja lá onde esviter, tem chão.
— Daniel! Rangel! Micael! Carla! - Grito pela minha equipe... Bom, pelo menos parece que consigo gritar aqui.
Começo a correr e gritar pelos nomes. Nada de resposta, nada de chegar em algum lugar. No entanto, vejo um ponto escuro logo no horizonte, caminho em direção dele. Conforme me aproximo o ponto começa a tomar forma até o ponto de ser reconhecivel, era a fragata. Corro em direção a ela e noto algo impossível, ela está em miniatura, flutuando a minha frente.
— Vejo que encontrou sua nave. - Escuto uma voz vinda de trás de mim, me viro e vejo um vulto se formando e caminhando em minha direção.
— Quem é você? E onde estou? O que significa tudo isso?
— Quem sou eu irei revelar mais tarde. Onde você está posso dizer agora, está na minha nave, bem no meio de uma singularidade.
Deve ter uns 1,90m de altura, corpo esguio, capacete com visor branco com detalhe azul bem escuro, quase negro. O traje também na mesma tonalidade de azul do capatece com ombreiras.
— Sua nave bem no meio de uma singularidade? Impossível! Era para estarmos mortos!
— De uma certa forma sim. Na verdade não existimos mais, pelo menos não para o universo a fora.
— Você nos resgatou?
— Eu estava te esperando capitão Jordan Hawx, ou melhor Neural.
— Não sei do que está falando, não sou esse tal de Neural.
— É verdade, você ainda não sabe quem é pois ainda é uma das proto-instâncias daquele que conhecemos como Neural.
— Escuta, podemos deixar essa conversa para depois? Estou muito grato de ter resgatado minha nave, mas temos uma missão muito importante, a humanidade está em guerra! - Digo impaciente.
— A espécie humana está condenada nesse universo.
— Heim?!? - Sinto um frio na espinha ao ouvir isso.
— Observe.
Uma nuvem com imagens paira na nossa frente. Lá vejo milhares de explosões, é a zona de combate. As frotas da armada humana sendo despedaçadas, a tática sniper não deu certo. Vejo a minha nave com a tripulação sendo abatida por uma rajada certeira. O inimigo é implacável.
A próxima cena é assustadora, havia uma outra frota alienígena idêntica vindo por outro lado. As duas tomaram posições opostas perpendicular ao plano da Via Lactea, alinhando ao centro. A cena é afastada mais ainda, mostra agora duas estruturas, como anéis gigantescos, também alinhados perpendicular a Via Lactea.
— Eis a arma de destruição mais devastadora que qualquer civilização pôde construir, o Conversor Quasar. Ele irá criar um buraco negro supermaciço no centro da galáxia transformando-a em um quasar. Isso fará com que os braços da Via Lactea retraiam. A imensa radiação emitida pelo centro irá aniquilar quaisquer forma de vida.
— Como poderemos contra algo assim?!? Por que eles são tão poderosos?!? - Falo assustado com tudo que vejo.
— Essa espécie alienígena é oriunda de uma das galáxias mais antigas do universo. Estão alguns milhões de anos a frente da humanidade, mas logo também sucumbirão.
— Miseráveis! Como isso se dará?
— Existe um misterioso artefato que aparece no início dos tempos. Essa espécie alienígena detém desse artefato e sucumbirão por ele no final de todos os tempos.
A nuvem de cenas desaparece mostrando a Via Lactea sendo transformada em um quasar.
— O que farei agora? Para onde irei? Não há mais lugar para onde ir... - Concluo desolado.
— Caminhe naquela direção. Você avistará uma porta, atravesse-a pois você é a chave. Abandone esse universo de ilusões que você pertenceu e seja o que está destinado a ser, Neural.
— Eu não entendo...
— Quando chegar ao outro lado você entenderá. Seu destino foi traçado por você mesmo. Essa é a sua sina.
— E quanto a você? Ainda não me disse quem é.
— Eu sou um dos mestre dos táquions, sou Time Traveler dessa instância e estou em várias instâncias, assim como você.
— Sou também um mestre dos táquions ou um time traveler?
— Não, você é Neural. Agora vá, está na hora de seguir sua jornada.
Caminho na direção que ele aponta, ando por alguns instantes e vejo no meio do branco uma luz. Me aproximo e ela se expande até tomar todo o branco. A luz vai ficando menos intensa e começo a enxergar formas, quando ela se dissipa percebo que estou numa nave bem diferente do que estou acostumado.
"Sou Neural, sou testemunha de um universo em que a humanidade sucumbiu por um inimigo mortal. Sou testemunha de um universo onde a humanidade atingiu a glória. Sou testemunha de um universo onde a humanidade foi somente humana. Sou testemunha de vários universos. Eis a minha sina."
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FIM
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