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Contos do Tiger.
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Tiger – Os Caçadores do Olho Perdido – Parte 2


— Então Tiger, o que o Robert queria dessa vez? — Tiger voltou para Eden para buscar MER, já passando mal de tantas bananas.

— Falou algo sobre "Olho Perdido"... Ouviu falar algo a respeito?

— Não, nunca. — MER saca mais uma penca de bananas e começa a descacar uma.

— Ei, não era que você estava passando mal de tanto comer?!?

— Vai saber quando terei outra oportunidade de comer bananas? Elas são caras!

Partiram de volta a Terra, MER queria passear em Asoka II. No caminho Tiger conta o pouco que soube sobre o "Olho Perdido".

— Bom, vou para Celestial arrumar a bagunça que deixei no depósito. — Tiger despede-se e parte para Titã.

MER já virou figurinha carimbada em Asoka II e transita tranquilamente pela estação sempre cumprimentando aqueles com olhares curiosos pela sua aparência.

— MER, você sabe que só deixo entrar porque você atrai a clientela. Já sabe, nada de espalhar seus pêlos por aqui. Já bastam os meus. — Era Jacques Beauvoir muito simpático.

— Oi Jac, também gostei do seu penteado. — MER devolve a gentileza. — Chega aí, vamos falar um pouco de negócios. Eu sempre soube que você é um cara de influência e é muito esperto, quero saber se tem ouvidos aguçados também.

— Oh, e que tipo de negócios teria interesse em tratar com você? — Jacques olha com um certo desdém para MER.

— Não me menospreze desse jeito. Que tipo de informação você conseguiria para mim caso eu te pagasse T$ 150.000?

— Você quer saber qual a marca de xampu que a Júlia Honré usa?

MER solta uma gargalhada.

— Ora, vamos Jac, facilita. Me conte o que sabe sobre o "Olho Perdido".

— Por essa quantia te conto o que sei sobre a Branca de Neve e os Sete Anões.

— Você já foi mais solícito... — MER entrega um cartão com T$ 150.000 em créditos a Jacques.

— O martini é por conta da casa. — Jacques despede-se de MER.

MER olha aos redores do bar e localiza um homem com traços orientais e trajes típicos de mercador com uma taça de martini sentado numa mesa.

— Boa Jacques, um mercador oriental com cara de mafioso. Agora, quem ele está esperando?

Ele continua observando o sujeito. Logo entra uma oriental e senta-se na frente dele.

— Essa deve ser a Branca de Neve... Agora, cadê os outros anões? — MER leva a taça de martini a boca. — Ei, isso não é martini... Ahhh Jacques, pegadinha heim.

Não é muito difícil localizar Jacques no bar lotado de ressurrectos esguios e pescoçudos, ele é o único fora de forma.

— Ok Jac. Conte-me o que sabe sobre a Branca de Neves e os Sete Anões.

— Ahhh então aceitou o meu desafio. Muito bem.

— Não são orientais, não possuem mercadores e não tem nenhuma Branca de Neve. O martini que você me deu não era martini, você usou rum no lugar de gim. Eles são renegados.

— Ora, mas acho que você se enganou, rum lembra piratas.

— Você fez isso para me induzir a esse erro, mas notei que os dois são casados pois usam aliança, então deduzi que só poderiam ser renegados.

Jacquer solta uma gargalhada. Depois instrui MER no que deve fazer na holoteca de Santos Dumont.

— Ptah? Mas por que depois deverei falar com o Ptah?

— Ahh É que todo mundo hackeia o Ptah, então resolvi hackea-lo também. Boa sorte.

Após a pequena conversa MER pega uma Bullfrog no mercado. Sente um calafrio quando senta na cabine e lembra da primeira experiência com uma Bullfrog, sai de Asoka II e ativa o cruzeiro rumo a Santos Dumont. Chegando na estação, ele vai direto para a holoteca, senta no terceiro terminal que fica um pouco escondido.

— Muito bem, muito bem. Agora tenho que assistir a primeira versão da "Branca de Neve e Os Sete Anões" mas com o audio desligado e depois do primeiro minuto devo escutar as músicas do Jac.

MER segue as instruções de Jacques e após o primeiro minuto abre a playlist dele.

— OMG! Que músicas são essas?!? Tem até Bonde do Tigrão! Que medo, é para ninguém ter coragem de ouvir isso... — Então ele bravamente escuta as músicas do playlist de Jacques. Logo após contacta Ptah para uma cyberconferência.

— Ei Ptah! Preciso ter uma conversinha com você.

— Oi MER, em que posso ajudá-lo? Espere, deixe-me adivinhar, você quer montar sistemas de disparo automático, certo?

— Errado Ptah. Mas me conte sobre a Branca de Neves e os Sete Anões...

— Ohhh... Você falou com o Jacques, não foi?

— Sim.

— E está no terceiro terminal para assistir o filme e ainda escutou o playlist dele.

— Isso mesmo. — MER sorri, nisso Ptah solta uma gargalhada.

— Você caiu numa pegadinha do Jacques! Que ingênuo! Você acha mesmo que uma informação sigilosa dessas estaria com ele?!?

— Mas ele disse que nunca esteve com ele...

— Ahh sim... Realmente, nunca esteve com ele, claro...

— Mas está com você. — MER sorri novamente.

— Mesmo se eu soubesse de algo eu não direi nada.

— Hooho acabou de confessar que sabe de algo sim!

— Não venha por palavras em minha boca. Eu não sei de nada e não falarei nada. — E Ptah cerra a boca.

— Heheheh perfeito, como previsto. Agora você irá falar tudo que sabe sobre o que procuro. — Ptah faz sinal de negativo.

— Abre-te Sésamo!

Ptah arregala os olhos e sua boca começa a abrir. Ele tenta fechar com força, tenta por as mãos e depois de muita luta consigo não consegue e começa a falar.

Ele conta que havia um pequeno grupo de ressurrectos que acreditavam que o Nucleo representava a evolução da civilização humana. Eles não conseguiam acreditar que haviam pessoas contra o Consortium e começaram a combatê-los. O Consortium os consideravam ressurrectos modelo pela lealdade que demonstravam e chegaram a conquistar o status de cidadãos espaciais.

Um dia, uma das estações de registro foi atacada por renegados. Era justo aquela que continha os registros desses ressurrectos. Após este ataque eles partiram para retalhação e nunca mais voltaram. Quando restauraram os backups, os técnicos notaram que os registros deles foram apagados definitivamente.

Após as investigações foi constatado que eles mesmo quem apagaram a memória e forjaram o ataque. O Consortium não teve dúvida, eles se tornaram renegados, porém nunca mais foram vistos.

— Pelo visto eles tem algo a ver com o tal "Olho Perdido".

— Oh... Isso é um perigo realmente! Tornou-se o termo mais procurado após o sequestro do agente Anthony Richards.

— Ele foi sequestrado? Essa eu não sabia.

Ptah faz uma expressão de arrependimento. Acabou de notar que deu com a língua nos dentes.

— Obrigado Ptah. Grato pelas informações.

MER se levanta e acena para o terminal e vai para o hangar com o seu típico sorriso estampado na cara.

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Hummm... Era para ser mais engraçado... Falhei miseravelmente...

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